Pesquisa aponta vitória de Wagner no 1º turno

 

A pesquisa DataFolha, divulgada durante o fim de semana chamou a atenção para os índices de rejeição dos principais candidatos ao Palácio de Ondina. O ex-governador Paulo Souto (DEM) lidera o primeiro lugar na reprovação do eleitorado baiano. Segundo a pesquisa, 30% dos eleitores dizem não votar nele de jeito nenhum.

O deputado federal Geddel Vieira Lima (PMDB), ex-ministro da Integração Nacional aparece na segunda colocação do ranking com 20% de rejeição. Já o governador Jaques Wagner (PT) segue na sequência - 16% rejeitam a possibilidade de votar no petista. No que diz respeito ao contexto geral das eleições estaduais, a pesquisa apresentou um quadro favorável ao governador Wagner, que pode ser reeleito ainda no primeiro turno com 44% das intenções de voto. Em segundo aparece Souto, com 23%, e em seguida Geddel, com 12%.

Os dados do DataFolha indicam que Wagner tem 21 pontos de vantagem sobre Paulo Souto, o segundo colocado, e quase quatro vezes que Geddel Vieira Lima, o terceiro, com 12%. O instituto informa ainda que “os candidatos Luiz Bassuma (PV) e Professor Carlos (PSTU) têm 1% cada um. Marcos Mendes (PSOL) e Sandro Santa Bárbara (PCB) não pontuaram. Não opinaram 13% dos eleitores, e outros 6% disseram que votarão nulo ou em branco”.

Apesar de a pesquisa retratar uma tendência de aprovação e reprovação aos seus nomes para as eleições de outubro, os candidatos preferiram não dar relevância aos números. Os três se abstiveram de comentar o índice de rejeição refletido pelo Instituto DataFolha. Mesmo na liderança das intenções de votos na Bahia, o governador Jaques Wagner preferiu a discrição, ressaltando que ainda não é hora de cantar vitória. Segundo ele, ainda será preciso muito “sebo nas canelas e sapato de sola de borracha” para enfrentar o restante da campanha.

“Esta é a décima quinta pesquisa desde novembro que indica vitória no primeiro turno. Elas estão sempre na mesma linha de coerência nos números”, enfatizou, ponderando que a pesquisa não ganha eleição. Com uma postura “comedida”, o gestor petista lembrou o pleito de 2006, quando os institutos indicavam vitória de Souto e ele ganhou. O governador convidou a militância a encarar o desafio da campanha e apelou aos candidatos a deputado que disputem votos com argumentos, “mostrando que os projetos de Lula, da presidenciável Dilma (Rossueff - PT) e o dele são os mesmos”.

O resultado, entretanto, animou os petistas, que classificaram os números como um reconhecimento ao trabalho do atual governo. “A pesquisa nos animou, estamos na frente com Dilma e Wagner, mas, melhor que pesquisa é mobilização, é disposição. É assim que se faz campanha, falando com amigos, com vizinhos, utilizando argumentos. Continuem lutando por uma Bahia melhor. Peçam votos. Isso é que é importante”, comentou o candidato ao Senado, Walter Pinheiro (PT).

Já o candidato ao Governo da Bahia pelo Partido Democrata, Paulo Souto, considerou que “para quem está no governo o índice de votos apresentado por Wagner não é confortável”. Segundo ele, apesar da “avalanche publicitária”, o candidato petista ainda não tem uma aprovação significativa da população. “Podemos caminhar para o segundo turno”, disse considerando que o governo ainda pode “sofrer um desgaste”, destacou. Fontes democratas afirmaram que o DataFolha deu um peso maior à capital baiana, local em que o índice de rejeição ao carlismo sempre foi considerado grande.

O peemedebista Geddel Vieira Lima, por sua, vez preferiu não dar importância aos números, mas disse que “continuará trabalhando e apresentando suas propostas”. “Meu sentimento vem das ruas. Vou ganhar as eleições”, disse em tom de confiança.

Petista é preferido entre pobres
O resultado do DataFolha mostrou ainda que o governador cresceu na preferência do eleitorado com maior poder aquisitivo. A pesquisa mostrou também que o gestor lidera ainda entre os mais pobres do Estado. Dos entrevistados com renda familiar acima de cinco salários mínimos, 58% dizem que votarão. Na mesma faixa, Souto aparece com 16%, e Geddel, com 7%. Na faixa abaixo dos dois salários mínimos, Wagner recua para 42%. Souto tem 24%, e Geddel, 12%. O governador também apresenta vantagem maior entre os baianos mais jovens. Ele alcança 53% no eleitorado de 16 a 24 anos de idade. Entre os jovens, Souto cai para 19%, e Geddel, para 12%.

Na pesquisa espontânea, na qual o entrevistado não tem acesso à relação dos concorrentes, Wagner tem vantagem proporcional ainda maior: o governador é citado por 26% dos entrevistados. Souto ficou em 7%, e Geddel, 4%. Conforme o instituto, o petista tem a preferência da faixa etária mais jovem, com 53% das intenções de voto entre o eleitorado de 16 a 24 anos de idade, enquanto Souto fica com 19%, e Geddel, 12%.

Influência de Lula - O presidente Lula, que é campeão de votos na Bahia, também influencia na votação do “amigo galego”, governador Jaques Wagner, ou seja, 46% é o percentual que afirma votar em Wagner por influência direta de Lula, ou seja, “quase o mesmo percentual de intenção de voto do atual governador, que é de 44%. De acordo com o DataFolha, a Bahia fica em segundo lugar na transferência de votos. Em primeiro lugar a pesquisa apontou o Estado de Pernambuco, onde o presidente Lula exerce maior influência no voto.

Por lá, o presidente influencia no voto de 52% do eleitorado, carregando à reeleição de Eduardo Campos, que aparece também impulsionado pela sua gestão apontada como positiva pela maioria do eleitorado. Por sua vez, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul são estados onde os eleitores, em maior percentual, não votariam “de jeito nenhum” num candidato de Lula.

indefinição - Segundo especialistas que observam a cena política baiana, o quadro eleitoral ainda está longe de ser definitivo, mas a pesquisa DataFolha aponta para uma forte tendência de estabilidade do governador Jaques Wagner em primeiro lugar e para a “perda de fôlego” do segundo colocado, o candidato Paulo Souto. Sobre os índices de rejeição, os analistas destacam como influência a exposição na mídia e as movimentações e alianças políticas.
Segundo o cientista político Paulo Fábio Dantas, é possível que haja um futuro acirramento na disputa pelo segundo lugar, entre o postulante democrata e o peemedebista Geddel Vieira Lima.

“A pesquisa mostrou que o candidato Wagner tem apresentado um crescimento lento, mas seguro e que vem caindo o afastamento entre Souto e Geddel”, destacou. Conforme avaliou Dantas, as últimas pesquisas não mostraram um movimento que está em curso no Estado que é “de crescimento da candidatura de Geddel, principalmente em terrenos que já foram do Partido Democrata”.

Ele apontou algumas situações que justificam a análise, como o fato de o candidato a deputado federal ACM Neto ter demonstrado forte aproximação com o PMDB, formando dobradinhas com membros do partido - a exemplo da primeira-dama Maria Luiza, candidata a deputada estadual; a não entrada de ACM Júnior na chapa democrata - além da tomada do PMDB por espaços antes do DEM.

O advogado eleitoral Ademir Ismerim disse que os números ainda podem modificar bastante, já que a campanha só começa para valer a partir da transmissão da propaganda eleitoral pela TV e pelo rádio. “Em 15 dias de transmissão é que poderemos ter uma avaliação melhor sobre os rumos da eleição.

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